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Segundo a tradição, leva a indicar que tudo começou por uma pequena
instância de habitação mourisca, situada no alto da Borralheira; para o povo
mais antigo, é da moirama tudo o que se lhe apresenta como aspecto antigo.
Pinho Leal, no seu dicionário Portugal Antigo e Moderno, afirma que aí houve
apenas uma atalaia (esculca) que tanto podia ser torre de vigia como, como
ponto de observação e sinais; provavelmente esta última hipótese é a mais
convincente, porque, segundo ele se construiu da sua pedra, no século XVI, a
capela de Sª Bárbara depois transformada no pequeno mas gracioso Santuário
de Nossa Senhora das Necessidades. A haver ali esculca ou atalaia,
certamente seria um ponto de referência para os dois castelos fronteiros:
Caria e Sernancelhe, donde partiam sinais de aproximação do inimigo, que
eram dados, segundo os usos do tempo, com um facho a arder. Hoje pelas
transformações que que sofreu o local, é impossível efectuar averiguações,
que vá além dum ponto de vigia no alto da Borralheira.
Também segundo Pinho Leal, a capela apelidada de S. Bárbara
foi mandada construir pela Câmara da Vila em 1400 com a já referida pedra
da antiga esculca alcandorada no alto penhasco. Mais tarde foi ali colocado
pela mesma câmara um eremitão (mordomo) que guardaria as esmolas dos fieis.
Depois foi substituída a imagem de Stª Bárbara pela de Nossa Senhora das
Necessidades, como titular. Os fieis acorriam com mais devoção depois que
ali foram construídas umas grutas, que abrigavam as figuras deanacoretas.
Entretanto o Abade de Vila da Ponte tentava um pleito contra a Câmara por se
supor lesado na sua jurisdição. Vencida a questão, ficou-lhe pertencendo a
administração do Templo e esmolas. O sonho duma grande instituição religiosa
começou a desfazer-se porque as esmolas dos feis foram rareando. Todavia
hoje, vê-se ali um Templozinho, moderno, de muita elegância, visitado
frequentemente pelos fieis, principalmente em Agosto. A Vila da Ponte tem
nele os seus olhos de crente, porque lá dentro sorri-lhe como consoladora
esperança e soberana protectora: Nossa Senhora das Necessidades.
Do cimo do monte da Borralheira, em que se subia outrora por caminhos
tortuosos, e hoje com uma melhoria do traçado do caminho, estando apenas
parcialmente pavimentado com paralelos, desfruta-se um extenso panorama,
formosos pelos seus variados acidentes, de perspectiva deslumbrante, pois
ali passam diante dos olhos, como num filme maravilhoso, vales frescos,
alcantis abruptos, colinas suaves, tudo mosqueado pelas manchas brancas da
casaria das aldeias, e dos campanários alvejantes das Igrejas e Ermidas a
destacarem-se entre árvores dum verde violáceo, ou carregado.
A capela de Nossa Senhora das Necessidades, está erigida num plano
rectangular, com vedação em cantaria e uma escadaria em lanços amplos e
largos.
O conjunto, com a casa do ermitão e as dependências residenciais, é
magnífico e curioso pela situação geográfica e panorâmica.
O recinto está envolvido por um maciço de vegetação de pinheiros e
castanheiros que dão beleza e graça ao lugar. |
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