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Caminho romano

Capela de Stº António

Casa dos Cardosos e Lucenas

Casa dos Gouveias

Casario da aldeia

A Igreja

Capela do Mártir S. Sebastião

Monte da Borralheira

A antiga ponte Romana

Capela do Sr. dos Passos

Capela de Nª Srª das Necessidades
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Esta Povoação chamou-se primitivamente Ponte, ou Ponte do Távora e Ponte Távora, da
antiga ponte de cantaria, que se ergueu, em tempos remotos, à entrada do alfoz de
Sernancelhe, do lado do poente, e que foi destruída há alguns anos devido à nova
albufeira da Barragem do Vilar e erro humano.
É uma aldeia cheia de elegância, asseada e fresca, a que se pode chamar a Pérola
do Távora. Assente na sua maioria na margem direita deste rio, entre o Medreiro e
o Minhoteiro, alegra com as suas habitações a destacarem-se no verde esmeralda das
árvores, um pequeno mas fértil vale, hoje na quase totalidade inundado alguns meses pela
albufeira. Este vale foi em tempos remotos um cerrado ameal. O nome da sua padroeira
(Nossa Senhora do Ameal) vem desse bosque de árvores aquáticas, que o tempo rareou à
medida que foram aumentando as culturas. Segundo uma Lenda, no meio dele, apareceu a
imagem de Nª Senhora.
A casaria da aldeia estende-se em cerradas filas ao longo da estrada de Ferreirim. Novos
bairros se vêm formando com habitações em estilo moderno. As antigas casarias, altas de
alvenaria, ou silhares lisos, são todas de aspecto regional, harmónicas com o quadro
todo beirão, da natureza que as cerca.
Os montes da Borralheira, Gordo e Ameleira, altos e de vertente quase aprumadas, cercam-na
em anfiteatro e abrigam-na dos ventos. Esta circunstância, a natureza do seu solo
das suas águas, tornam a parte do vale não submergido pela albufeira e as Cheiras tão
produtivos que estes, independentemente do comércio e indústrias, asseguram uma boa
parte da riqueza da Aldeia.
Vila da Ponte não tem o aspecto antiquado de certas freguesias do Concelho como
Sernancelhe ou Fonte Arcada; reguzijava-a a sua linda ponte sobre o Távora (destruída na
década de 60 conforme atràs já foi referido), existindo todavia aínda a capelinha de
S. Sebastião e uma pequena fonte, hoje esquecida, que nos falam do passado.
A tradição refere que Vila da Ponte começou por uma pequena instância de habitação
mourisca, situada no alto da Borralheira; para o povo mais antigo, é da moirama
tudo o que se lhe apresenta como aspecto antigo. Pinho Leal, no seu dicionário Portugal
Antigo e Moderno, afirma que aí houve apenas uma atalaia (esculca) que tanto podia ser
torre de vigia como, como ponto de observação e sinais; provavelmente esta última
hipótese é a mais convincente, porque, segundo ele se construiu da sua pedra, no século
XVI, a capela de Sª Bárbara depois transformada no pequeno mas gracioso Santuário de
Nossa Senhora das Necessidades. A haver ali esculca ou atalaia, certamente seria um ponto
de referência para os dois castelos fronteiros: Caria e Sernancelhe, donde partiam sinais
de aproximação do inimigo, que eram dados, segundo os usos do tempo, com um facho a
arder. Hoje pelas transformações que que sofreu o local, é impossível efectuar
averiguações, que vá além dum ponto de vigia no alto da Borralheira.
Vila da Ponte foi primitivamente uma contributa de Sernancelhe. O foral dado a esta
última povoação, nos limites que assinala ao seu alfoz, inclui-a no seu termo. Depois e
não muito tarde é que foi freguesia
autónoma, e Vila (Vila da Ponte) no fim do século XVII, apesar de Pinho Leal no
seu dicionário, sem fundamento, afirmar que já o era em 1400; e indirectamente o faz,
visto que lhe atribui uma Câmara, a qual, segundo afirma mandou construir a capela de
Stª Bárbara, atràs referida.
D. Dinis deu esta freguesia a D. João, bispo de Lamego, depois de extintas as discórdias
entre o poder civil e eclesiástico, em 1290, servindo o Bispo de intermediário, ou
delegado do clero. D. Afonso IV confirmou essa doação, e chama-lhe Ponte Távora,
e não Vila; assim como não lhe chamava Vila D. Pedro I, na Carta que daqui
expediu aos monges de Salzedas, em 1364; mas sómente Ponte. Se Vila fosse por este
nome a designariam.
O livro "Monarquia Lusitana" (século XVI), traz a relação das Vilas que,
entre Côa e Távora, eram do Bispo de Lamego, e menciona apenas Aveloso e Várzea
(Trevões) sem incluir a Vila da Ponte; o que não deixaria de fazer se fosse Vila,
porque desta freguesia já eram senhores os Bispos de Lamego.
D. Afonso VI, em 1661, elevou-a a cabeça de condado, dando-a a Francisco de Melo Torres,
a quem fez Conde da Ponte, e não da Vila da Ponte, porque não era aínda
Vila; e deu-lhe Carta de Foral.
Antigamente, chamava-se câmara às terras (povoações, igrejas ou outros
domímios) pertencentes a bispos, abades e mosteiros. Aos passais do mosteiro de
Alpendurada, chamava-se casais da câmara; quando Macieira de Cambra foi dada ao
Bispo de Coímbra, depois que da diocese de Mérida passou para a de Coímbra, ficou a
denominar-se câmara do bispo. Trevões, Parada do Bispo, Veloso e Ponte (vila
da) eram câmaras nesta acepção, pois os seus direitos e domínios pertenciam ao Bispo.
Sendo a Ponte câmara neste sentido, é de crer que o autor do
"Dicionário Portugal Antigo e Moderno" julgasse que esta povoação o era
também no sentido de vila autónoma.
Francisco de Melo Torres, seu senhor, é que lhe outorga autonomia municipal, e mandou
colocar as suas armas na casa da Cadeia, e erguer o Pelourinho, que é o mais singelo e
moderno de todos os pelourinhos das vilas e concelhos da região. Essas armas eram ( eram,
porque já ali não existem, desde que a Cadeia foi transformada em habitação): «Escudo
dividido em dois - no 1º de púrpura, 5 torres de ouro em aspa (Torres); no 2º em campo
de púrpura, 6 besantes de prata entre uma doble cruz (Melos) e bordadura de ouro».
A Vila da Ponte foi um pequenino alfobre de fidalgos do mais puro sangue. Gouveias,
Fonsecas, Rebelos, Almeidas, Leitões, Cardosos e Lucenas, deram-lhe lustro e brilho, e
foram ornamento distinto da sociedade aristocrática da Beira Alta. Deles só resta a
memória. Há porém uma família que perdura ali: a dos Leitões.
A varonia dos Cardosos e Lucenas é muito antiga; a 7 de Agosto de 1612, Filipe I assinou
Carta de Brazão e Nobreza a Favor de António Correia, da Quinta de Almodafa, da Vila de
Mondim, filho de Damião Dias Amado e Beatriz Sores Correia, moradores em Ferreirim, de
Fonte Arcada; neto paterno de João Dias e Maria Anes, bisneto de João Afonso Amado e
Catarina Pires; e neto materno do licenciado Alvaro Lopes Correia e Beatriz Botelho,
moradores na Vila de Barcos; e bisneto de João Ferreira e Isabel Botelho, na Vila de
Mondim.
De António Correia a quem foi dada a carta de brazão, em 1612, descendem os Cardoso de
Lucena, da Vila da Ponte, representados até há cerca de 65 anos pelo Sr José
Cardoso de Lucena Araújo Coutinho, neto de Lázaro Cardoso de Lucena, último
capitão-mór de Sernancelhe e Vila da Ponte: filho do Dr. Luiz Cardoso de Lucena Araújo
Coutinho e casado com a Srª D. Maria Augusta d´Andrade Cid, filha do General,
engenheiro, José de Matos Cid, grande proprietário e publicista agrícola, muito
conhecido: e os Cardoso de Lucenas de Magarelas (Viseu) e aínda os de Veiros
(Estarreja), Granja do Tedo (Tabuaço) e outros.
A Vila da Ponte não teve além da freguesia da sede, outro lugar até 1834; depois é que
lhe foi anexada a Cardia, pequena povoação da freguesia de Sernancelhe. Em 1855, foi
extinta esta vila, e incorporada no concelho a que hoje pertence.
Desde a sua extinção, manteve uma luta activa com Sernancelhe, para a mudança da sede
do Concelho, luta que serviu para dividir esforços e energias dos contendores, dos dois
campos, sem proveito algum para o Município. Hoje, porém, parece ter desaparecido na
Vila da Ponte, a ideia da referida transferência; porque esta Vila nem sequer pode já
alegar a razão da maior centralidade, depois que as freguesias de Caria e Rua passaram
para Moimenta da Beira; e sobre o rescaldo extinto dos ódios dessa pugna de irmãos, as
duas antigas rivais colaboraram no engrandecimento do Concelho que é, por direito
administrativo e por afinidades étnicas, património comum e regalia que convém manter
inalterável para a paz de todos e sem a qual não poderia haver o progresso e que é bem
notório nos dias de hoje.Esta pequenina, mas pitoresca e graciosa Povoação, não tem
edifícios antigos dignos de nota; mas aqui encontramos algumas construções do século
XVII, espaçosas e elegantes, ostentando nas fachadas os brazões dos seus nobres
senhores. Entre estas, é de justiça destacar a casa dos Cardosos e Lucenas e a dos
antigos Gouveias, hoje na posse da Família Araújo de Ferreirim, esta última.
Entre as suas capelas destacamos justamente a do mártir S. Sebastião, ao norte da
aldeia, sem arte notável, mas a mais antiga da Vila da Ponte; a de Nosso Senhor dos
Passos, na zona da estalagem.; e a Nossa Senhora da Necessidades, pela sua origem e
existência acidentada. Esta últma capela, erguida no cimo do monte da Borralheira,
segundo Pinho Leal, teve prncípo numa capela de S. Bárbara que a Câmara da Vila mandou
construir em 1400 com a pedra duma antiga esculca alcandorada no alto penhasco,
sendo porém certo que nesta data a Ponte não era Vila. Mais tarde foi ali colocado pela
mesma câmara um eremitão (mordomo) que guardaria as esmolas dos fieis. Depois foi
substituída a imagem de Stª Bárbara pela de Nossa Senhora das Necessidades, como titular.
Os fieis acorriam com mais devoção depois que ali foram contruídas umas grutas, que
abrigavam as figuras deanacoretas. Entretanto o Abade de Vila da Ponte tentava um pleito
contra a Câmara por se supor lesado na sua jurisdição. Vencida a questão, ficou-lhe
pertencendo a admnistração do Templo e esmolas. O sonho duma grande instituição
religiosa começou a desfazer-se porque as esmolas dos feis foram rareando. Todavia hoje,
vê-se ali um Templozinho, moderno, de muita elegância, visitado frequentemente pelos
fieis, principalmente em Agosto. A Vila da Ponte tem nele os seus olhos de crente, porque
lá dentro sorri-lhecomo consoladora esperança e soberana protectora: Nossa Senhora das
Necessidades.
Do cimo do monte da Borralheira, em que se subia outrora por caminhos tortuosos, e hoje
com uma melhoria do traçado do caminho, estando apenas parcialmente pavimentado com
paralelos, disfruta-se um extenso panorama, formosos pelos seus variados acidentes, de
perspectiva deslumbrante, pois ali passam diante dos olhos, como num filme maravilhoso,
vales frescos, alcantis abruptos, colinas suaves, tudo mosqueado pelas manchas brancas da
casaria das aldeias, e dos campanários alvejantes das Igrejas e Ermidas a destacarem-se
entre árvores dum verde violácio, ou carregado.
A Igreja é de boa traça, mas moderna. Tem dentro uma capela com os quadros de S.
Cristóvão, S. Miguel e outros. Do lado direito do altar lê-se a inscrição"HOC SACELUM COSTRUXIT GASPAR GOMEZ PONTINUS THEOLOGOS. INSUI CORPORIIS: AC
PARENTUM FRATUM ET SOROR EI: ERA (1602?)...CUI MULTA PRAEDIA
ATRIBUIT...OBLIGATIONEM...MSSARUM." Não há dúvda que a Inscrição alude à
família que vinculou a Capela. Esta, dedicada a S. Miguel, foi a sede dum vínculo dos Gomes
Pontinos. Foi construída em 1602 e passou por sucessão à famíla Cardoso de Lucena
enquanto viva, por justo consentimento tático da povoação; porque a
legislação moderna acabou com os direitos de particulares em capelas de qualquer Igreja
Matriz. Tem uma cúpula e é do gosto da Renascença.
A Igreja foi por ocasião das Invasões devastada pelos Franceses. Aqui estiveram
acantonados mais de 3 meses, fazendo do templo, depósito de munições de guerra. Pouco
então escapou do seu recheio. Mas os soldados de Napoleão pouparam a imagem de S.
Miguel, que tiveram exposta, solenemente, no púlpito, acima um pouco das suas orgias de
revolucionários. Esta simpatia por S. Miguel explica-se pela identidade dos génios - do
Santo e dos Soldados. Aquele combateu e desbaratou os demónios; devia ser respeitado,
não fossem despertar-lhe o antigo furor bélico e ele, na sequência da sua missão,
enxotar os vendilhões do Templo do Senhor.
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