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IDADE MÉDIA: Paróquias e Conventos

Arciprestado de Tarouca

No topónimo Ucanha detecta-se facilmente a raíz lígures Oca, menos clara na forma de Cucunha, como se escreveu durante toda a Idade Média e aínda posteriormente. À falta de documentos inéditos referentes a esta antiga paróquia, endossamos a Leite de Vasconcelos e Almeida Fernandes a responsabilidade do que se segue.
Segundo o último autor, Ucanha, honra de Egas Moniz, camou-se primitivamente Vila da Ponte, passou por herança a Ermígio Viegas que, em 1156, a vendeu ao Mosteiro de SAlzedas, tornando-se, por 1324, vila e cabeça do couto do Mosteiro. Devia ter existido no local um posto de abastecimento ao lado da estrada romana onde, em 1418, o abade D. Fernando mandou construir um hospício com rendimento para 12 pobres, atendido pelo cirurgião e remédios do convento. Nessa altura já se encontraria concluída a ponte na extremidade da qual o mesmo abade erigiu uma insigne torre apoiada numa base aberta em túnel. O monumento tinha por finalidade defender a passagem e cobrar a portagem.
A igreja actual é reconstrução de 1729. No restauro efectuado há poucos anos surgiram restos das estruturas românicas do templo medieval, nomeadamente o arco apontado duma porta. Três ou quatro imagens arrumadas na sacristia devem reportar-se ao séculi XIV. à paroquia presidia um cura pensionado, nomedo pelos monges de SAlzedas que recebiam os dízimos            

Arciprestado de Sernancelhe

Numa cédula de D. Pedro I, de 1364, vem a designação da Vila de Sernancelhe, termo de origem geográfica e relacionado com a serra sobre a qual realmente se edificou.
Sernancelhe e Penedono extremam, pelo sul a terras altas da diocese de Lamego. A região foi povoada na pré-história, nomeadamente pela tribo pré-celta dos Cónios, da estirpe lígure, recordado no topónimo Cunha. O velho castro deu o nome ao Monte do Castelo, mais tarde celtizado e romanizado, como o comprovam os raros lanços da muralha aínda visíveis, e os variados achados arqueológicos, como machados de pedra polida, fragmentos de cerâmica de bordo, tégulas, um dolium ou tulha com medas romanas de cobre, uma de oiro do Imperador Arcádio, e outros objectos. A deslado da ponte românica sobre o ribeiro Medreiros descobriram-se vestígios de exploração mineral, certamente da mesma época. Recorde-se que o Concelho era atravessado por uma das principais vias romanas da Beira que ligava Lamego a Almeida e da qual aínda se podem ver alguns troços, um deles em Guilheiro. Deve relacionar-se com a cultura dolménica o topónimo Pedra Cavaleira, sobre um monte em frente do castelo.
As lendas das mouras encantadas revestem as características comuns a outras localidades da Beira. Mas a presença Muçulmana continua recordada no topónimos Mouradel, também conhecidos por Picoto, hoje Bairro Novo; Rocha da Moura, Fonte da Moura, identificada, segundo dizem, como o Poço do Monte, ou cisterna do castelo, abobabada. Também os Godos se encontraram ligados a Monte Rodrigo, o Lobrigo, rio Guimar ou Vimar (Adbarros), Guilharei e Gradiz, estes situados hoje fora do alfoz de Sernancelhe. As sepulturas paleo-cristãs da Igreja apresentam-se esculpidas de cruzes suévicas, e uma pia de água benta foi escavada num capitel visigótico. Da Idade Média provêm diversas fontes românicas de charco, abobabadas, situadas ao lado da ponte, dentro da Vila, em Ferreirim, naVila da Ponte e em Fonte Arcada, esta tão importante que deu o nome ao lugar.
Não cremos que a ocupação árabe produzsse uma roptura completa na organização municipal de Sernancelhe, como sucedeu em outra Vilas. Assim se explica o seu fluorescimento logo após as lutas da reconquista, como se revela na letura do foral de 26 de Outubro de 1124, um dos mais antigos e considerado dos mas importantes da Lusitânea. Na própria arquitectura religiosa patenteia-se a mesma continuidade, entre a época visigótica e medieval.
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Nas suas andanças através do Reini, alguns monarcas parece terem apreciado os ares lavados daqueles montes e a beleza áspera daqueles panoramas. É certo que por lá estacionaram  Dª Teresa, D. Afonso Henriques e D. Dinis que foi um dos que mais atenção prestou à Beira. Também D. Pedro, o cru, poisou em Vila da Ponte, em 22 de Novembro de 1364 e três dias depois assinou, em Sernancelhe, cartas dirigidas aos monges das Salzedas, passando aínda por Fonte Arcada. A tradição insiste que o rei andava no encalce de um dos assassinos de D. Inês de Castro, Diogo Lopes Pacheco, senhor de Ferreira de Aves e de que o foragido escapou ocultando-se na copa de um cipestre na povoação dos Prados.
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Vila da Ponte só ascendeu à categoria de Vila nos fins do sécul XVII, apesar de Pinho Leal já a honrar com essse título em referência ao ano de 1400. A sua importância adveio-lhe da ponte medieval construida sobre o Távora na desembocadura dos ribeiros Medreiro e Cardia, dando assim facilidade à estalagem levantada na margem esquerda, e aínda hoje recordada na toponímia, de arrotear a outra margem muito mais fértil e de nela iniciar o pequeno povoado conhecido por Ponte ou Ponte Ponte do Távora, como lhe chamou D. Afonso IV ao confirmar a doação de 1292 feita por seu pai à mitra de Lamego. Ao ser elevado a condado, em 1661, o agraciado tomou o título de «Conde da Ponte». A designação oficial era, contudo Aldeia da Ponte, e assim aparece referida no cadastro de 1527. Um documento de D. Afonso III  leva-nos a admitr que, antes da construção da ponte o local foi conhecido por Lavradio. Com efeito, encontrando-se em Coimbra a 19 de Abril de 1268 (ou 1269) este monarca cedeu a favor da Sé de Lamego a «albergaria da Ponte do Lavradio» com a respectiva Igreja e todos os direitos «iure hereditario in perpetuum», pois deles queria fazer graça ao Bispo D. Pedro. A paróquia tornou-se couto da mesma Sé, com tos os direitos de imunidade a favor dos que a ela se acolhiam, gozando do Bispo do direiro de apresentação do pároco da Igreja, que era abadia, a despeito dos seus limitados rendimentos; tão limitado que, na taxação de 1321, foi tributada na insignificância de 20 lbras. Cerca de 220 anos mais tarde, em 1537, o abade João de Ceuta declarou que o benefício lhe rendia 14 milreis.
Tudo leva a crer que, em remotas eras, no alto da serra da Borralheira existiu um povoado coroado por uma atalaia ou esculca,   com cuja pedra se construiu, cerca do ano de 1400, por ordem das autoridades municipais, a capela em honra de Santa Bárbara. A imagem, oferecida por um devoto, foi colocada no altar em 1550. Esta capela deu origem deu origem ao Santuário da Nossa Senhora das Necessidades. A actual matrz substituiu um outra de origem medieval, em estilo românico, com sugerem os raros vestígios das primitivas fundações: uma goteira de pedra, a incrição ilegível no alçado do lado esquerdo e o tímpano da porta lateral, embora a cruz florenciada tenha sofrido retoques. A pequena imagem da Piedade guardada em edícula na frntaria sobre o portal, mesmo vista à distância, parece anterior à remodelação do moderno templo.

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