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É difícil determinar na época pré-histórica as religiões que
passaram por estas zonas; presumivelmente o politeísmo, que era seguido
na antiguidade por quase todos os povos.
Os Romanos habitaram todo o Concelho, impondo aos vencidos as suas leis,
usos, costumes, língua e religião, embora respeitassem as
crenças dos indígenas. Religiosos com eram, introduziram provavelmente
no Concelho o culto dos Lares, divindades protectoras das casas, dos
campos, dos indivíduos e das cidades.
Pelo exposto, conclui-se que Lusitanos e Romanos adoraram
divindades na Lusitânia; tendo os primeiros uma citania e os segundos uma
vila, algo importante, no Concelho, de presumir que ali tivessem
introduzido o culto dos deuses gentílicos.
Muito cedo e muito certamente, os Romanos trouxeram o Cristianismo a estas
terras, através das legiões espalhadas pelo grande Império Romano,
trazendo então à Península Ibérica os gérmenes da nova religião:
assim se começaria a cristianizar o Concelho de Sernancelhe.
Em 561, com os Suevos, ter-se-iam continuado as conversões; com os
Visigodos, as terras do Concelho estariam à sombra protectora da Cruz,
tal com acontecia em toda a Península.
Durante a invasão árabe, os cristão deviam ter uma vida abastada; o seu
Bispo emigrara para as Astúrias. Os árabes foram tolerantes mas esta sua
amenidade, seria um suave eufemismo diante da Liberdade religiosa que
passara com a destruição do império visigodo. Em 96 o castelo de
Sernorsele está de novo na posse dos cristãos, para depois o tomar
Almansor. Só em 1050 quando Fernando Magno tomou definitivamente
Sernancelhe, é que os cristãos tiveram então liberdade plena ao
exercício das suas crenças, reorganizando a vida religiosa, como fruto
da paz, conquistada à custa de muitos sacrifícios.
Após a reconquista é senhor de Sernancelhe Egas Gozende; o foral dado
por ele à Vila, prova que no concelho havia mais de uma Igreja e
provàvelmente mais que uma paróquia, pois este refere-se a igrejas
consagradas e não consagradas, quando estabelece as penalidades contra os
desacatos a elas feitos.
O concelho de Sernancelhe deve ter sido um dos primeiros centros da vida
religiosa da Diocese, como o foram as freguesias vizinhas, como Tarouca,
Caria e outras. Como tal, primitivamente pertenceu à diocese de Lamego;
durante o domínio árabe esteve sob a jurisdição do de Coímbra. Quando
D. Afonso Henriques colocou bispo em Lamego em 1144, para esta diocese
passou e a ela tem pertencido até hoje.
A pós a restauração a vida religiosa intensificou-se muito no Concelho
de Sernancelhe, para o que concorreram a Comenda da Ordem de S. João de
Jerusalem (Malta) introduzida ali no tempo dos primeiros reis de
Portugal.
São prova da vitalidade das crenças do Concelho de Sernancelhe, os
Conventos, as Igrejas e numerosas capelas erguidas em toda a
circunscrição do território do concelho.
Apenas se vai elucidar neste texto, o património religioso relativo à
aldeia Vila da Ponte:
1º Igreja - Nossa Senhora do Amial, de boa traça, mas moderna.
2º Capelas - Mártir S. Sebastião, ao norte da aldeia e mais antiga
da aldeia; Sr. dos Passos no lugar da estalagem; Nossa Senhora das
Necessidade no cimo do Monte da Borralheira; Nª Srª do Encontro por
detràs do Monte da Borralheira; Capela de Stº António (privada); Espírito Santo na Cardia.
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