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Costumes

 
 Costumes

São muito característicos e conhecidos os costumes das gentes da Beira Alta, região do país muito peculiar, no carácter, personalidade, hábitos e costumes dos seus habitantes. Neste caso os pica-peixes (alcunha do povo de Vila da Ponte), também se englobam nestas características: corados, francos e leais; fortes, receptivos e com sensibilidade. Não tem grandes aspirações, mas é sóbrio, decidido e resistente ao trabalho, sendo também resignado e paciente. Pelas suas características de paciente e nada ousado, contenta-se facilmente com o seu “status”, desde que não lhe usurpem algumas das suas regalias. Excessivamente bairrista, contenta-se com a horta e a leira que o sustentam, com a sua casa, e uma alimentação com poucas proteínas animais. Trabalha no campo do nascer ao pôr do sol, e muito económico em tudo, amealhando durante a vida para oferecer aos filhos. Como tal vive sem luxos e alheio a altos confortos.

Mantem-se aínda nesta aldeia usos e costumes tradicionais de toda a região; a salientar o comunitarismo agrário: a eira, o forno e o lagar do vinho são comuns. Também comuns são a apanha de lenha dos pinhais e utilização das águas na rega dos campos. Até finais década de 50 havia muito analfabetismo, mas com as campanhas de alfabetização, a escolaridade obrigatória, e ultimamente o lecionamento em cursos nocturnos na escola da aldeia (desde e instrução primária e até já o primeiro ciclo “último curso em 1999”) aos mais idosos e àqueles sem instrução, veio a oferecer na actualidade uma altíssima taxa de alfabetismo. Com estas medidas cedo se notaram as repercursões: população inteligente, e com aptidões para as letras e ciências, como provam os que a elas se têem dedicado; fala-se com considerável correção e pureza a língua portuguesa, com termos e frases clássicas, cujo vocabolário usual só se explica pela cultura antiga deste povo, transmitida através das várias gerações.

Aínda existe um certo abuso no alcool, obviamente devido à tradição cultural, ao grande cultivo da vinha que aínda existe como meio de subsistência económica, e à tradição errada da ingestão desta bebida rica em calorias, para segurar o penoso trabalho do campo do nascer ao pôr do sol.

Também na década de 60, iniciou-se o fenómeno da Emigração da aldeia para França, Alemanha e ultimamente Suissa, e que veio a modificar nalgumas gentes alterações do hábitos e costumes atràs referidos, durante a sua ausência; mais dinheiro, construções habitacionais modernas em cimento (que alteraram um pouco a fisionomia rústica e beirã da aldeia), e desejo em cooperar no moderno desenvolvimento económico da aldeia; todavia a salientar e dignificar à maioria dos emigrantes da aldeia: quase todos têm regressado à sua terra natal depois de terem atingido os seus objectivos lá fora, e as suas características de personalidade e carácter não modificaram....«o que mostra quão está enraízado no seu inconsciente a sua cultura peculiar de VilaPontense»

A religião é cristã, havendo uma forte crença e união ao espírito religioso, e uma forte devoção à Nossa Senhora das Necessidades.

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